Campinas, 12 de Outubro de 2008
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COTAS PARA NEGROS: UMA CHANCE DE FUTURO

O sistema de cotas para negros nas universidades foi adotado pela primeira vez na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) em 2001 e ainda gera polêmica e divide opiniões. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que o sistema de cotas é a única forma de se resolver o problema da exclusão racial no curto prazo. Há poucos negros na universidade e isso impede que eles se unam para lutar por seus direitos. Dados mostram que a exclusão é perversa: 97% dos atuais universitários brasileiros são brancos, contra 2% de negros.

Algumas pessoas argumentam que a idéia de raça deve ser abolida, por estimular a divisão do país em grupos étnicos e, por isso, não apóiam as cotas para negros em universidades públicas e privadas. No entanto, a adoção de cotas apenas revela um preconceito que já é real. Os negros estiveram fora do sistema apesar da mestiçagem, o que não garantiu a eles o acesso ao ensino superior. Muitos acham que, sem as cotas, os negros continuarão fora do sistema, apesar de a maioria das entidades de defesa dos negros terem tentado combater o preconceito sem usar qualquer idéia ligada à raça como referência ou exigir qualquer tipo de favorecimento.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelam que dos 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, 70% são negros; entre os 53 milhões de pobres do país, 63% são negros. Nesse caso, a política de cotas aplicada a carentes beneficiaria principalmente a população negra.

A lei estadual que introduziu as cotas, prevendo 40% de vagas para negros e pardos, nas universidades do Rio de Janeiro no ano passado, foi modificada. Se antes negros e pardos tinham o privilégio, independentemente de sua posição social, agora só negros carentes têm direito às cotas. Mas é justamente no ensino público que reside uma outra crítica à reserva de vagas. Ao adotar a medida, que não gera custos para os cofres públicos, o governo pode deixar para segundo plano o problema da educação. As cotas produzem um efeito estatístico positivo, ao aumentar o número de negros nas universidades, mas não acabam com a exclusão. Sobre essa questão, assista ao vídeo sobre cotas (http://www.youtube.com/watch?v=cwNzedAEyAM).

As cotas foram, até agora, o único mecanismo encontrado por algumas universidades brasileiras para resolver o difícil acesso de negros e pobres às universidades públicas. É uma iniciativa corajosa e só dentro de alguns anos poderemos avaliar se realmente cumpre a sua finalidade. Mas se existem meios melhores que as cotas para aumentar o acesso de negros à universidade pública, devem ser adotados esses meios.

Os negros devem ter os mesmos direitos de entrarem em uma universidade que os brancos. Não podemos ser contra as cotas, pois é a única maneira de eles poderem realizar o sonho de muitos que é se formarem, e devemos lutar cada vez mais para que esse preconceito diminua.

fonte:http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira12/noticias/noticia5.htm


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Produção Editorial

Diego Pereira
Sarah Cristin



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