|
Células-tronco: um assunto polêmico e pouco
conhecido
A ciência tem divulgado muitas pesquisas e informações
sobre o assunto e as várias possibilidades para o tratamento
de doenças. Entenda melhor sobre elas
O
que são e para que servem?
Elas são de diversos tipos e um verdadeiro tesouro, pois podem
originar outros tipos de células e promover a cura de diversas
doenças como o câncer, o Mal de Alzeimer e cardiopatias.
Estamos falando das células-tronco, foco de discussões
entre cientistas, leigos e políticos.
O fato é que a legislação brasileira sobre pesquisas
com células-tronco de embriões humanos, já aprovada
no Congresso Nacional, permite o uso dessas células para qualquer
fim. Mas a lei de Biossegurança aguarda aprovação
na Câmara dos Deputados. E muita polêmica ainda pode surgir,
já que a Igreja e outros grupos são contra a utilização
de células-tronco embrionárias.
De forma bem simplificada, células-tronco são células
primitivas, produzidas durante o desenvolvimento do organismo e que
dão origem a outros tipos de células. Existem vários
tipos de células-tronco: 1. Totipotentes - podem produzir todas
as células embrionárias e extra embrionárias; 2.
Pluripotentes - podem produzir todos os tipos celulares do embrião;
3. Multipotentes - podem produzir células de várias linhagens;
4. Oligopotentes - podem produzir células dentro de uma única
linhagem e 5. Unipotentes - produzem somente um único tipo celular
maduro. As células embrionárias são consideradas
pluripotentes porque uma célula pode contribuir para formação
de todas as células e tecidos no organismo.
Para que servem as células-tronco?
Uma das principais aplicações é produzir células
e tecidos para terapias medicinais. Atualmente, órgãos
e tecidos doados são freqüentemente usados para repor aqueles
que estão doentes ou destruídos. Infelizmente, o número
de pessoas que necessitam de um transplante excede muito o número
de órgãos disponíveis para transplante.
E as células pluripotentes oferecem a possibilidade de uma fonte
de reposição de células e tecidos para tratar um
grande número de doenças incluindo o Mal de Parkinson,
Alzheimer, traumatismo da medula espinhal, infarto, queimaduras, doenças
do coração, diabetes, osteoartrite e artrite reumatóide.
Onde as células-tronco podem ser encontradas?
Em embriões recém-fecundados (blastocistos), criados por
fertilização in vitro - aqueles que não serão
utilizados no tratamento da infertilidade (chamados embriões
disponíveis) ou criados especificamente para pesquisa; embriões
recém-fecundados criados por inserção do núcleo
celular de uma célula adulta em um óvulo que teve seu
núcleo removido - reposição de núcleo celular
(denominado clonagem); células germinativas ou órgãos
de fetos abortados; células sanguíneas de cordão
umbilical no momento do nascimento; alguns tecidos adultos (tais como
a medula óssea) e células maduras de tecido adulto reprogramadas
para ter comportamento de células-tronco.
Qual é a diferença entre célula-tronca
embrionária e célula tronco adulta?
Célula-tronco embrionária (pluripotente) são células
primitivas (indiferenciadas) de embrião que têm potencial
para se tornarem uma variedade de tipos celulares especializados de
qualquer órgão ou tecido do organismo. Já a célula-tronco
adulta (multipotente) é uma célula indiferenciada encontrada
em um tecido diferenciado, que pode renovar-se e (com certa limitação)
diferenciar-se para produzir o tipo de célula especializada do
tecido do qual se origina.
Por que é bom armazenar o sangue do cordão umbilical da
criança?
Porque no cordão umbilical se encontra um grande número
de células-tronco hematopoiéticas, fundamentais no transplante
de medula óssea. Se houver necessidade do transplante, essas
células de cordão ficam imediatamente disponíveis
e não há necessidade de localizar o doador compatível
e submetê-lo à retirada da medula óssea.
As células-tronco podem ajudar na terapia de quais doenças?
Como os tratamentos são feitos?
Algumas doenças que seriam beneficiadas com a utilização
das células tronco embrionárias são: Câncer
- para reconstrução dos tecidos; Doenças do coração
- para reposição do tecido isquêmico com células
cardíacas saudáveis e para o crescimento de novos vasos;
Osteoporose - por repopular o osso com células novas e fortes;
Doença de Parkinson - para reposição das células
cerebrais produtoras de dopamina; Diabetes - para infundir o pâncreas
com novas células produtoras de insulina; Cegueira - para repor
as células da retina; Danos na medula espinhal - para reposição
das células neurais da medula espinal; Doenças renais
- para repor as células, tecidos ou mesmo o rim inteiro; Doenças
hepáticas - para repor as células hepáticas ou
o fígado todo; Esclerose lateral amiotrófica - para a
geração de novo tecido neural ao longo da medula espinal
e corpo; Doença de Alzheimer - células-tronco poderiam
tornar-se parte da cura pela reposição e cura das células
cerebrais; Distrofia muscular - para reposição de tecido
muscular e possivelmente, carreando genes que promovam a cura; Osteoartrite
- para ajudar o organismo a desenvolver nova cartilagem; Doença
auto-imune - para repopular as células do sangue e do sistema
imune; Doença pulmonar - para o crescimento de um novo tecido
pulmonar.
Os tratamentos são muito caros?
Sim. Para se ter uma idéia dos valores seguidos nos Estados Unidos,
coleta e processamento das células do cordão umbilical
custam U$ 1.325 e a estocagem anual das células em nitrogênio
líquido U$ 95 por ano. Terapia celular para doadores autólogos,
isto é, que usam sua própria medula óssea como
fonte de células-tronco, aproximadamente U$ 80 mil e, se for
transplante celular alogênico, isto é, de células
provenientes de um doador compatível que não ele próprio,
de U$ 90 mil a US$ 150 mil. A procura por um doador compatível
varia de U$ 7 mil a U$ 9 mil.
No Brasil, onde já se faz tratamentos com células-tronco?
Aqui, os tratamentos com células-tronco são feitos apenas
em grandes centros de pesquisa, como os grandes hospitais e somente
para pacientes que assinam um termo de consentimento e concordam em
participar desses estudos clínicos.
Recentemente, o Ministério da Saúde aprovou um orçamento
de R$ 13 milhões em três anos para a pesquisa das células-tronco
da qual participam alguns grandes hospitais brasileiros como o Instituto
do Coração - SP, Instituto Nacional de Cardiologia de
Laranjeiras - RJ, entre outros. Serão estudadas as cardiopatias
chagásicas (decorrente da doença da Chagas), o infarto
agudo do miocárdio, a cardiomiopatia dilatada e a doença
isquêmica crônica do coração.
Como a terapia utiliza células-tronco autólogas, o estudo
não sofre influência da Lei de Biossegurança, recém-aprovada
no Senado. Além dessa grande pesquisa, o Brasil está investindo
em terapia com células-tronco voltada a outras doenças,
como é o caso da distrofia muscular, esclerose múltipla,
câncer, traumatismo de medula espinhal, diabetes etc.
Qual é o futuro da terapia com células-tronco?
Alguns objetivos que seriam alcançados com a utilização
da terapia com as células-tronco são: Compreensão
dos mecanismos de diferenciação e desenvolvimento; Identificação,
isolamento e purificação dos diferentes tipos de células
tronco adultas; Controle da diferenciação de células-tronco
para tipos celulares alvo necessários para o tratamento das doenças;
Conhecimento para desenvolver transplantes de células-tronco
compatíveis; Nos transplantes de células-tronco: demonstração
do controle apropriado do crescimento, bem como a obtenção
do desenvolvimento e função de célula normal; Confirmação
dos resultados bem-sucedidos dos animais em seres humanos.
Quais são os argumentos dos cientistas, do ponto de vista
ético, para defender o uso das células-tronco?
Células tronco embrionárias possuem o atributo da pluripotência,
o que quer dizer que são capazes de originar qualquer tipo de
célula do organismo, exceto a célula da placenta. 2. Sabe-se
que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização
e que são inseridos em um útero, nas melhores condições,
não geram vida. 3. Embriões de má qualidade, que
não têm potencial de gerar uma vida, mantêm a capacidade
de gerar linhagens de células-tronco embrionárias e, portanto,
de gerar tecidos. 4. A certeza de que células-tronco embrionárias
humanas podem produzir células e órgãos que são
geneticamente idênticos ao paciente ampliaria a lista de pacientes
elegíveis para tal terapia. 5. É ético deixar um
paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um
embrião cujo destino é o lixo? Ao utilizar células-tronco
embrionárias para regenerar tecidos de um paciente não
estaríamos criando uma vida?
Em quais países já é permitido usar células-tronco?
Inglaterra, Austrália, Canadá, China, Japão, Holanda,
África do Sul, Alemanha e outros países da Europa.
Para comentar, clique
aqui
Voltar
|